Quinta-feira, 19 de Julho de 2007

MUDAR DE RUMO - intervenção na sessão da AF de 117Jul07

Lendo o relatório que nos facultou tarde e más horas, sou forçado a concluir que o prometido às Taipas por V.Exa e a sua equipa não vai ser cumprido.

 

Obviamente, desta constatação não se pode concluir que nem V.Exa nem a Junta no seu todo estiveram quietos e calados, mas pode e deve concluir-se que tirando a gestão corrente, tirando o normal funcionamento dos serviços e as indispensáveis diligências junto de outras entidades, não se vislumbra nenhuma obra lançada ou em vias de ser executada.

 

Há, não o podemos esquecer, as festas, que apesar de menores em dias não foram menores em qualidade e nem em forasteiros, conforme relatório isento e imparcial antes citado.

 

E houve também o trabalho em prol do centro educativo, trabalho que está ensombrado por alegadas operações urbanísticas de contornos nunca clarificados, onde a magnanimidade do proprietário do terreno só encontra explicação no facto de ele, de outra maneira, não conseguir o que assim pensava conseguir. Quero dizer que a mim não surpreende a engenharia concebida. Antes de V.Exa outros houve que praticaram os mesmos actos de que agora o acusam, com a diferença de o fazerem a coberto de muito mais poder que V.Exa, o que não mudando a essência do negócio, mostra a hipocrisia dos que só acham erradas certas práticas quando por outros praticadas.

 

Resumindo, o que V.Exa e a sua equipa fizeram é, nem mais nem menos, o que está nas vossas mãos fazer, tudo o que prometeram e não foi feito é o que transcende as competências legalmente fixadas, é o que depende de outros e que para ser conseguido exige diálogo político e capacidade negocial.

 

 

Senhor Presidente

e Senhores Vogais da Junta:

 

 

Sabem V.Exas, e se não sabem deviam saber, que esta junta de freguesia - e qualquer junta - tem mais competências do que meios para as executar.

 

Sabem V.Exas, e se não sabem deviam saber, que o ser vila não acarreta nenhum privilégio orçamental e, inversamente, acarreta responsabilidades acrescidas na gestão das expectativas de uma população urbanizada, politicamente mais exigente.

 

Sabem V.Exas, e se não sabem deviam saber, que a Vila das Taipas luta com meios insuficientes os quais, apesar disso, são superiores aos disponibilizados para a generalidade das freguesias que compõem o concelho.

 

Sendo tudo isto do conhecimento de V.Exas, quer por serem cidadãos atentos e preocupados com a coisa pública, quer por serem cidadãos politicamente activos com passagem pela vida autárquica, não colhe a surpresa que pretendem demonstrar quando confrontados com o insucesso da estratégia que definiram para levarem a bom porto o programa eleitoral amplamente sufragado pelos eleitores.

 

Quando V.Exa., Senhor Presidente, confessa na mais recente entrevista, que se sente um mero passador de atestados está a dizer uma verdade elementar. Pode ser duro de ouvir, pode até não ser simpático, mas um presidente de junta que não crie e não cultive relações institucionais normais com a câmara do seu concelho está condenado a fiasco, está condenado ao isolamento e ao ostracismo. Porque, senhor presidente, quando se depende no grau que qualquer freguesia depende do orçamento municipal falar em parceiros, falar em órgãos complementares do poder local é figura de retórica que a vida desmente.

 

No passado mais remoto e agora o PCPTaipas não defende um tratamento subalterno. Não defende uma Junta ajoelhada aos pés de qualquer presidente de câmara. Defendemos relações institucionais normais, reciprocamente respeitosas.

 

Infelizmente, V.Exa e a parte da sua equipa enveredaram por caminho diverso, afrontando por palavras e actos o parceiro com quem deviam cultivar contactos naturais. A postura aguerrida que V.Exa e parte da sua equipa assumiram relativamente à Câmara de Guimarães, mostra que entre o diálogo e o confronto preferiram este em prejuízo daquele, pelo que não podem queixar-se das reacções provocadas.

 

Esta Junta pôs-se a jeito, deu à câmara o pretexto e o argumento para recusar às Taipas um cêntimo a mais do que por lei e pela tradição lhe costuma dar. È o preço que as Taipas estão a pagar pela vossa rebeldia.

 

Não vale a pena revisitar a história das relações institucionais entre a Junta de Freguesia de Caldelas e a Câmara Municipal de Guimarães. São tudo menos relações respeitosas e amigáveis. E com relações degradadas, assentes em reservas mentais e políticas, os resultados não poderiam ser muito diferentes do que têm sido, situadas ao nível mais baixo dos últimos mandatos.

 

Estes são os factos e perante tais factos a Junta enconcha-se, esbraceja contra tudo e contra todos ao mesmo tempo que protesta a sua inocência e a injustiça de que se sente vítima. Mas levou tão a peito essa estratégia da vitimação que o exagero a desqualificou e desacreditou. Só fieis continuam a dar para esse peditório.

 

Já o disse publicamente e quero dizer-lho aqui frontalmente, senhor presidente da junta, que tenho-o como homem honrado, fino mas demasiado voluntarioso. É a sua costela voluntarista que o faz cometer erros de primários dos quais, convém dize-lo, as Taipas são a primeira vítima e V.Exa a segunda.

 

Conhecendo-o como julgo conhecer, só encontro explicação convincente para o procedimento no negócio da famigerada carrinha, no seu voluntarismo e na contumácia que lhe tolhe a razão.

 

Conhecendo-o como julgo conhecer, só encontro explicação convincente para o procedimento no negócio dos blocos de pedra amontoados à porta da junta e na feira, no seu voluntarismo e na contumácia que lhe tolhe a razão.

 

E no entanto, V.Exa sabe e pode fazer melhor.

 

E pode fazer melhor a bem das Taipas.

 

Desde que ponha de lado os caprichos e abandone a estratégia que só V.Exa, parte da sua equipa e alguns pitosgas não vêem que conduz ao abismo.

 

Havia uma mosca que voava de patas para o ar. Quando lhe perguntavam porque não voava como as outras irritava-se e argumentava que ela é que estava bem e todas as outras voavam mal. Falta praticamente meio mandato, senhor presidente – mude de rumo, voe como deve ser, para que as Taipas não percam mais quatro anos no seu progresso.

publicado por org. pcp-taipas às 12:00
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