Segunda-feira, 23 de Julho de 2007

FESTA DA FRATERNIDADE 2007

Antes do mais agradeço a vossa presença e a vossa participação nesta segunda edição da nossa Festa da Fraternidade.

 

Cumprindo o que vos prometemos e anunciamos há um ano, aqui estamos novamente com a Festa da Fraternidade, uma Festa maior na duração e mais abrangente nos seus propósitos.

 

Em nome da CC de Guimarães do PCP, quero agradecer aos camaradas da comissão de freguesia de Caldelas, aos camaradas de todas as freguesias vizinhas e aos amigos que não sendo militantes comunistas se juntaram a nós tornando possível a mudança que está à vista de todos e não pode ser negada.

 

Temos o Governo mais à direita depois do 25 de Abril, o Governo de que a direita mais gosta depois do 25 de Abril.

 

Temos o Governo mais insensível às questões sociais, depois do 25 de Abril.

 

Temos o Governo mais anti-trabalhadores, depois do 25 de Abril.

 

Um a um são atacados direitos e conquistas dos povos e dos trabalhadores, num processo calculado de retrocesso civilizacional que desemboca no empobrecimento da maioria da população e na concentração da riqueza em cada vez menos mãos.

 

Insaciável, o grande capital quer mais do muito que já recuperou:

 

quer acabar com o horário de trabalho, prolongando e concentrando a jornada de trabalho, indiferente às consequências na estabilidade familiar e no direito ao descanso;

 

quer despedir mais facilmente e não quer ser obrigado a reintegrar o trabalhador injustamente despedido.

 

A sofreguidão do grande capital é tanta que se atreve a pedir agora o que até agora sempre quis mas nunca ousou exigir em público – a revisão da Constituição para dela extrair os obstáculos que impedem os despedimentos sem justa causa de modo a  poder mandar para a rua qualquer trabalhador por motivos ideológicos ou políticos.

 

O que choca mais nesta proposta das confederações patronais não é o atrevimento mas o sim o elas considerarem que neste momento gozam das condições políticas para apresentarem uma reivindicação antiga, o que não abona a favor de um governo dito socialista, um governo que se mostra ofendido quando o PCP o confronta com as incoerências entre a sua prática e a sua base de apoio, entre o que promete quando na oposição e o que faz quando no poder.

 

O facto de o governo ser um governo do PS ilude a real percepção da sua política contra os trabalhadores e em benefício do grande capital, dificultando o julgamento e a correspondente sanção política, além de retardar o processo de contestação. Retarda, mas não impede, como se tem visto nas pequenas e grandes lutas que se travaram e que tiveram na Greve Geral de Maio e na Manifestação de Guimarães momentos altos, que nenhuma manobra pode esconder.

 

Passo a passo os resultados desta deriva neoliberal e de direita começam a surgir:

 

temos 2 milhões de pobres, o que representa 20% da população;

temos mais de 8% de desempregados, o que é a taxa mais elevada dos últimos 20 anos;

temos milhares e milhares de trabalhadores com vínculo precário;

temos uma taxa de crescimento da economia incipiente;

temos as famílias cada mês mais endividadas;

temos cada mês mais crédito mal parado.

 

É um saldo cruel de anos a fio de políticas que, como a actual, escolhem os trabalhadores como os maiores sacrificados.

 

E no plano do regime democrático?

 

No plano da democracia são evidentes os casos de protecção e estímulo da bufaria, confundindo fidelidade com dever de lealdade, fotografando e filmando manifestantes, levando a julgamento os contestatários, reprimindo militares e agentes da autoridade e seus familiares que passeiam pelas ruas a sua insatisfação e a sua indignação. Ao mover processos disciplinares o governo e seus seguidores fiéis o que pretendem é amedrontar para futuro, numa tentativa de controlar a contestação pelo medo. O governo sabe que o protesto contra as suas políticas vai aumentar, vai crescer e multiplicar-se e as suas tentativas de assustar visam enfraquecer a luta das vítimas, o que, como a história recente e remota prova, como a rica história da luta contra a repressão fascista prova, está condenado ao fracasso, fracasso para o qual o PCP dará o seu valioso contributo, por muito que isso incomode o primeiro-ministro, todos e cada um dos ministros.

 

Também em Guimarães e nas Taipas, os efeitos nefastos da política do Governo se fazem sentir. Na indústria, no comércio, nas famílias.

 

O desemprego aqui é maior que o desemprego a nível nacional. Aqui praticam-se dos salários mais baixos do país.

 

Com taxas de desemprego muito acima da média e com salários e pensões de reforma baixos, não é só o futuro que está comprometido – é o presente que volta a ser de angústia, de revolta.

Sem emprego, os portugueses retomam os caminhos da emigração. Dados recentes publicados em Espanha dizem que só no passado mês de Junho os serviços de segurança social daquele país registaram a inscrição de 79 mil portugueses. A este número impressionante deve somar-se o número dos clandestinos, dos que saem de cá ao domingo à noite e regressam na sexta-feira, em carrinhas a abarrotar que desafiam o conforto, a segurança rodoviária e trazem à memória os tempos da emigração a salto. Estimativas galegas dizem que neste momento cerca de 800 mil portugueses atravessam a fronteira do norte para venderem a sua força de trabalho do lado de lá.

 

Ao mesmo tempo que isto acontece, os fabulosos lucros das empresas financeiras, da banca e dos seguros, as negociatas na bolsa são uma provocação aos trabalhadores, aos pequenos e médios empresários, são sinal da desigualdades sociais crescentes e imorais.

 

As malfeitorias políticas do Governo também se sentem nas Taipas. Começaram com a perda do serviço de saúde pública e já vão no desmantelamento do antigo Centro de Saúde trocado por duas unidades de saúde familiar, de cariz privado. Passo a passo o governo socialista vai reduzindo o papel do estado na saúde, vai descaracterizando o serviço nacional de saúde tendencialmente gratuito por um outro mais do agrado do grande capital. Na troca do Centro de Saúde das Taipas pelas duas USF a criar, alguns vão ver resolvido o seu problema de assistência na saúde, mas muitos outros vão ficar de fora, sem a indispensável cobertura de cuidados médicos.

 

Quando as injustiças se acentuam e agravam, quando as desigualdades sociais se acentuam, costumam aparecer vozes que cavalgando a onda da insatisfação e do desapontamento enveredam por processos de contestação e de combate político radicalizados.

 

Nas Taipas há um sector da população que se considera injustiçado na distribuição das obras municipais, na repartição do plano de investimento e de actividades do município. Tudo isto nem seria novidade nem excepção merecedora de destaque se esse sector não desse sinais de algum desnorte e de desorientação e de propensão para a aventura.

 

Esse sector radical empurra o PSDTaipas para exigências incomportáveis e ilógicas, colocando a fasquia num ponto tal que a Câmara não podia e não pode aceitar. O programa eleitoral do PSDTaipas era e é irrealista, mas foi com ele e por ele que ganhou as eleições de 2005 e por isso o quer cumprir a qualquer preço. Como a Câmara não vai ajudar, porque não pode e não quer, o PSDTaipas ensaia uma saída que passa por armar-se na vítima que não é nem nunca foi.


A Junta está nervosa e os nervos não são o melhor conselheiro.

 

Ou melhor, par ter viabilidade precisa da boa vontade política da Câmara, a mesma Câmara contra a qual desenterrou o machado de guerra, desbaratando o pouco capital de confiança existente.

 

Incapaz de dar a mão à palmatória, incapaz de travar os ímpetos dos sectores mais radicais, o PSD revela-se permeável à aventura populista, caso as manobras de bastidor em curso se revelem infrutíferas, como tudo indica.

 

O projecto Veiga/PSD é megalómano e por isso inviável. Antes de atirar as culpas para os outros a equipa Veiga/PSD tem de fazer um exame de consciência ou de autocrítica, como preferir e tem de arrepiar caminho em vez de irresponsavelmente continuar a jogar com as legítimas aspirações das populações.

 

O PCP acolhe e apoia as reivindicações justas das populações, não acolhe nem apoia actos que possam prejudicar as populações, adiando o progresso.

 

Viva a Festa da Fraternidade!

Viva o Povo das Taipas!

Viva a JCP!

Viva o Partido Comunista Português!

publicado por org. pcp-taipas às 17:59
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